Tá com inveja? Transforme isso em competição saudável

 em Curiosidades

Você está curtindo umas cervejas no happy hour com seu amigo quando ele comenta que tem ótimas notícias: vai ser promovido.

Você fica contente. Dá seus parabéns sinceros, faz algumas perguntas sobre o que ele vai fazer e até pede mais uma rodada para comemorar.

Porém, vamos ser sinceros: uma pequena parte de você de repente sente uma inveja intensa. Mais intensa do que uma mera competição saudável.

Por que a carreira dele continua progredindo enquanto você fica no mesmo lugar?

Quer dizer que sua carreira está fracassando?

Você também quer um cargo chique e um aumento daqueles…

Apesar de seus esforços para apoiar e motivar seu amigo, pensamentos inconvenientes como esses surgem quando alguém ao seu redor conquista algo super legal.

Como transformar isso em uma competição saudável?

Tenha calma, isso não quer dizer que você é uma péssima pessoa ou um monstro invejoso. Esse é apenas o ser humano, e existe uma explicação científica para essa mistura de orgulho e inveja. Isso se chama teoria da manutenção da autoavaliação.

Mas… o que é essa teoria da manutenção da autoavaliação?

Abraham Tesser, psicólogo social, foi o primeiro a estudar esse fenômeno psicológico. Ele detalhou os resultados de sua pesquisa em um artigo em 1988: Toward a Self-Evaluation Maintenance Model of Social Behavior (em português: “Em direção a um modelo de manutenção da autoavaliação do comportamento social”).

Confuso, né?

Vamos explicar.

A teoria da manutenção da autoavaliação defende que quando alguém se dá bem em alguma coisa, sua autoavaliação — basicamente sua autoestima — é impactada.

Você usa as pessoas mais próximas como um parâmetro de sucesso.

E, quando você sente que o que você tem é inferior ao que elas têm, sua autoestima despenca.

Esse sentimento não tem nada a ver com o que a outra pessoa conquistou. Na verdade, conforme explica um artigo da revista Psychology Today, a conquista da pessoa é só um gatilho para as suas autocríticas.

Por exemplo, vamos supor que você adore a sua quitinete básica.

Porém, quando sua amiga convida você para uma festa de inauguração do duplex novinho dela, você começa a se rebaixar na mesma medida que seu apartamento.

Ele é muito pequeno. É muito velho. Muito barato… 

A comparação da sua moradia com a da sua amiga faz com que você diminua suas próprias conquistas.

Porém, você não faz isso com todo mundo. A verdade é que isso acontece mais com as pessoas mais próximas.

“Nossa autoavaliação sofre ameaças muito maiores de entes queridos que se destacam em aspectos que nos definem — tipo nosso trabalho ou alguma habilidade — do que de estranhos que se destacam nas mesmas coisas,” escreve Tim Herrera em um artigo da The New York Times.

“É natural nos compararmos mais com quem está à nossa volta, mesmo que, ironicamente, isso gere algum ressentimento.”

Resumidamente, nós nos comparamos com quem está à nossa volta, porque a proximidade dessas pessoas faz o sucesso delas parecer mais alcançável.

As pessoas que a gente não conhece ou que moram longe podem parecer mais diferentes, e o sucesso delas, mais distante.

Você não controla seus sentimentos, mas pode controlar suas reações

A verdade é que talvez seja impossível não ter esses sentimentos de inveja. Porém, você pode controlar como você reage a eles e aceitar a competição saudável.

Na pesquisa “The Evolutionary Psychology of Envy” (“A psicologia evolucionária da inveja” em português), reportada por Kristi Hedges para a revista Forbes, Sarah Hill e David Buss abordam pesquisas que explicam como as pessoas reagem à inveja. Para resumir, temos a tendência de reagir de três maneiras diferentes a essa competição saudável:

  • Submissão: Você se convence de que a outra pessoa é superior e que não vale a pena nem competir. É uma forma de autopreservação.
  • Ambição: Você mergulha na competição saudável para melhorar suas próprias conquistas e chegar ao mesmo nível da outra pessoa.
  • Destruição: É aqui que a coisa complica e você critica ou diminui a pessoa que está se dando bem.

A última opção é obviamente a mais tóxica. Todo mundo pensa: “Eu nunca faria isso. Posso até sentir inveja, mas não tenho rancor suficiente para humilhar alguém em público”.

Tem certeza? Essa reação é muito mais comum do que a gente imagina.

Pense na última vez em que um dos membros da sua equipe foi elogiado por um chefe. Tem certeza de que você não resmungou com seus colegas de trabalho sobre como essa pessoa só foi elogiada porque é “puxa-saco”?

Se a carapuça serviu, não se sinta mal — essa reação acontece.

Inclusive, outra pesquisa de Abraham Tesser concluiu que nós dificultamos ativamente o sucesso de nossos amigos, se esse sucesso tem chances de ameaçar nossa autoestima.

Nesse estudo, 52 pares de amigos, juntamente com pessoas desconhecidas, participaram de um jogo de identificação de palavras.

Os participantes precisavam escolher pistas para seu par e para uma pessoa desconhecida identificarem as palavras do jogo. Fizeram esse exercício em duas condições:

  • Em competição: para medir habilidades importantes
  • Em brincadeira: um simples jogo

Como esperado, os participantes deram pistas muito mais difíceis nas condições de competição do que quando a coisa era apenas uma brincadeira.

Porém, veja só que interessante: os participantes deram pistas mais difíceis para pessoas desconhecidas do que para seus amigos no contexto de brincadeira (que era só para diversão, sem consequências), mas deram pistas muito mais difíceis para seus amigos do que para desconhecidos nas condições de competição — onde os resultados importavam mais.

É como deixar as “batatas quentes” para os colegas no gerenciamento de tarefas em equipe.

O que isso quer dizer?

Nós não só temos inveja das conquistas dos nossos amigos, mas essa inveja pode nos levar até a sabotá-los. 😳

Transformando a inveja em competição saudável

Talvez você não consiga se livrar totalmente da inveja, mas também não precisa deixar que ela chegue ao nível extremo da traição.

Há algumas maneiras de lidar melhor com esses sentimentos inevitáveis.

1. Reconhecer para aliviar

Admitir que você sente inveja de alguém pode ser constrangedor. Você prefere sorrir, seguir em frente e fingir que está contente com a conquista de outra pessoa do que dizer: “Que ótimo para ela, mas para mim é péssimo”.

Apesar de ser tentador enterrar a inveja com camadas de ressentimento e alegria forçada, há algumas razões por que isso não é muito saudável.

Para começo de conversa, ignorar seus sentimentos pode ser prejudicial à sua saúde.

“Quando a mente impede o fluxo das emoções fortes ou conflitantes, isso estressa a mente e o corpo, gerando angústia e sintomas psicológicos,” escreve Hilary Jacobs Hendel em um artigo para a revista TIME.

“O estresse emocional, como o que advém de emoções bloqueadas, está não só ligado a doenças mentais, mas também a problemas físicos como doenças cardíacas, problemas intestinais, enxaquecas, insônia e doenças autoimunes.”

Além disso, reconhecer e até dar um nome a essas emoções pode aliviar a gravidade delas.

“Dar um nome às nossas emoções pode aliviar o peso e diminuir o fardo delas,” explica Tony Schwartz em um artigo para o The New York Times. “O psicólogo Dan Siegel se refere a essa prática como ‘reconhecer para aliviar’.”

Por último, é impossível mudar algo que você não admitiu que existe ainda.

Então, identificar o que você sente ao reagir a certas situações vai ajudar você a interagir de forma diferente, mais consciente e mais saudável.

2. Escreva as consequências reais

É fácil fazer tempestade em copo d’água. Você passa a não aceitar o sucesso de algum amigo puramente pela conquista. Em vez disso, comece a imaginar como isso realmente afeta sua vida.

O João foi promovido, e eu não. Se eu não fui promovido, quer dizer que estou indo mal no trabalho. Se estou indo mal, provavelmente vou ser demitido em breve. E, se eu for demitido, não vou ter dinheiro e vou precisar voltar para a casa dos meus pais para afogar as mágoas no desconforto do meu quarto antigo.

Ufa. Soa familiar?

Todos nós passamos por esse raciocínio insano de imaginar as piores situações possíveis.

Isso se chama pensamento catastrófico.

“Tecnicamente, o pensamento catastrófico é um estilo exagerado e irracional de pensamento que nos leva a aumentar situações desastrosas para proporções irreais,” diz Bill Knaus, Ed.D., em um artigo para a Psychology Today.

Quando você sentir que está caindo nesse buraco negro, dê um passo para trás e faça o seguinte exercício: Escreva as consequências reais que o sucesso da outra pessoa tem no seu dia a dia.

Vamos voltar ao exemplo do seu amigo sendo promovido e tendo felicidade no trabalho.

Que impacto isso tem no seu dia a dia?

Como sua vida muda como resultado dessa notícia?

Provavelmente, vai ser bem difícil pensar em uma resposta racional.

Inclusive, você provavelmente não teria nem percebido que seu melhor amigo foi promovido se ele não tivesse dado a notícia.

Essa é uma ótima maneira de espairecer, pensar um pouco e se lembrar de que o fato de a outra pessoa ter sucesso não quer dizer que você está fracassando.

3. Trate essa pessoa como referência

Por último, nos momentos em que você sente aquela inveja intensa das conquistas de outra pessoa, você deixa de perceber um detalhe importante: você pode aprender algo com essa pessoa.

Vamos supor que você está querendo explorar a habilidade de falar em público, e uma de suas amigas acabou de ser contratada para palestrar em um evento importante.

Sim, isso pode doer.

Porém, também é a oportunidade perfeita para você aprender com ela sobre como ela conseguiu essa proeza.

Ela fez contato com alguém ou esperou a oportunidade chegar? Quais desafios ela encontrou no caminho? Que conselho ela daria para você?

Claro, você não precisa imitar exatamente a mesma abordagem da sua amiga. Porém, essa é sua chance de absorver conhecimento de alguém que está passando pela experiência, o que pode economizar um pouco de desgaste e erro da sua parte.

Uma pesquisa da BestCompany afirma que confiamos mais em nossos amigos do que em especialistas quando se trata de assuntos relacionados à carreira, e esse insight realmente tem sido comprovado.

The survey presented 20 hypothetical scenarios to 500 everyday people.

Além disso, aposto que o sucesso de seus amigos em um assunto que você realmente quer dominar vai ser o empurrãozinho que você precisa para ir atrás das suas metas.

Então, a competição saudável pode ser muito boa para todo mundo.

Competição saudável x inveja: a conclusão

Se seu primeiro pensamento é “puxa, quero isso para mim!” quando uma pessoa próxima ou ente querido compartilha uma notícia boa com você, contente-se com o fato de que isso não acontece só com você.

A inveja é inevitável e, em muitos casos, pode servir de inspiração para você ser melhor.

Porém, muito esforço é exigido para reconhecer seus sentimentos de inveja e transformá-los em algo positivo. Coloque em prática essas táticas, e vai ser muito mais fácil controlar essa emoção!

Fonte: Trello.com

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